segunda-feira, 2 de maio de 2011

Bactérias do bem imunizam crianças

“Se você deixou a pessoa em uma redoma de vidro, o sistema imune começa a produzir determinadas doenças, como por exemplo rinite, a asma”, explica o professor de infectologia Edimilson Migowski, da UFRJ.

Cidade grande é assim: é conviver e dividir espaços. Às vezes, temos que nos esquivar de um cotovelo mais inconveniente. E podemos nos deixar contagiar por alguém mal educado ao redor. Nós também carregamos uma metrópole de micro-organismos, em permanente estado de convivência, e podemos até portar algumas bactérias mais inconvenientes, que podem nos deixar doentes. É aí que entra um exército de defesa, capaz de nos permitir seguir em frente, de preferência, sem tropeços.
Devemos ao nosso sistema imunológico o serviço de limpeza do organismo. Bactérias do bem e células que podem causar doenças competem por nutrientes. E o sistema imune precisa ser testado, desafiado a fazer o papel dele.
“Se ele entra em um período de remissão, porque você deixou a pessoa totalmente em uma redoma de vidro, o sistema imune vai dizer assim: ‘e agora, o que tem que fazer?’. E ele começa, segundo alguns, a produzir determinadas doenças, como por exemplo rinite, a asma”, explica o professor de infectologia Edimilson Migowski, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Contra a alergia e a bronquite do Guilherme, Eliane, a mãe do menino, é extremamente cuidadosa. Ela revela que não deixa o filho brincar descalço.
“Uma criança que tem rinite ou asma tem uma necessidade especial de ficar longe de tudo que tem pó. Mas não necessariamente de tudo que seja sujeira de uma forma geral. Ele não precisa viver em uma bolha”, aponta a pediatra e alergista Renata Cocco, da Unifesp.
“Em um ambiente onde as crianças estão na rua, cheias de parasitose intestinal, cheia de problema, elas têm menos asma brônquia, menos rinite que aquela criança que é toda cuidada, toda cercada de muito mimo e cuidado”, ressalta o professor de infectologia Edimilson Migowski, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Desde o meio do século passado, houve um aumento significativo de saneamento básico, do uso de antibióticos e vacinas. O controle de infecções é bem maior. O problema é o uso indiscriminado de antibióticos que favorece o surgimento de bactérias perigosamente fortes.
“De vez em quando, a gente ouve esses casos de bactérias resistentes e pessoas morrendo porque não existe antibiótico para curar aquele tipo de bactéria”, aponta a pediatra e alergista Renata Cocco, da Unifesp.
No parquinho, Giovana corre para lavar o pé que ficou sujo de lama e caminha descalça. A mãe revela que a menina não tem nenhuma alergia. “Você costuma ver crianças com gripe, resfriado. Ela é muito difícil”, diz o pai.
O problema é a dificuldade de largar aquele hábito: a chupeta. “A chupeta cai no chão. Você muitas vezes não vê, pega e ela põe na boca”, diz o pai da menina.
A mãozinha estava brincando no parque, e a chupeta foi para a boca. Vamos evitar excessos, mas sem perder a infância jamais.

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