Nos últimos anos no Brasil têm acontecido certas coisas das quais até Deus duvida. Afastado do cargo de chefe da Casa Civil da Presidência da República sob a acusação de ser chefe de uma organização criminosa que operava o "mensalão", o então todo-poderoso ministro José Dirceu foi chamado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na própria solenidade de suas substituições, como "o nosso Zé Dirceu".
O tesoureiro do mesmo "mensalão", Delúbio Soares, em pleno auge do escândalo, foi eliminado dos quadros do seu partido, o PT, numa tentativa marota de se salvar as aparências junto à opinião pública. E tanto foi uma marotice a história que, baixada a poeira, Delúbio foi recepcionado de volta aos quadros petistas, com direito a farto churrasco de comemoração.
No primeiro mandato do governo Lula, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, foi também escorraçado do Palácio do Planalto por pressão de opinião pública, depois de pilhado em flagrante como frequentador de uma mansão de lobistas em Brasília, igualmente ilustrada por generosas representantes do sexo feminino, amplamente conhecidas por pertencerem à categoria das que só dizem sim. Quem entregou Palocci foi o seu caseiro, que vira o alegre homem forte do Governo várias vezes entre os convivas dos festivas reuniões.
Depois, ainda no governo Lula, uma assessora direta de atual presidente Dilma Rousseff na chefia da Casa Civil, em decorrência do afastamento da então titular para se candidatar à sucessão no Palácio do Planalto. Seu nome: Erenice Guerra, que ficou por lá pouco tempo. Também foi escorraçada por pressão pública, após se constatar que filhos da então ministra faziam tráfico de influências no Governo, em troca de vultosas comissões em dinheiro.
Na certa empolgada com o sucesso popular do Bolsa-Família, a ministra Erenice abriu a bolsa do Governo e chamou a família.
Já no atual período, Dilma Rousseff, como se nada houvesse acontecido antes, Palocci fez o seu retorno triunfal no Planalto, justamente para chefiar a estigmatizada Casa Civil. Descobriu-se, então, que nos quatro anos em que exerceu o mandato de deputado federal, ele ganhara cerca de R$ 900 mil, o que lhe possibilitou, no entanto, respaldo financeiro para comprar um apartamento e um escritório em São Paulo, no valor de R$ 7 milhões. Resultado: escorraçaram com ele de novo, mas na cerimônia de sua saída Palocci ganhou festa de herói petista: foi aplaudido de pé, não se sabe por quê.
Agora, é o caso do terrorista italiano Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua em seu país, sob a acusação de haver assassinado, como militante ideológico de esquerda, quatro pessoas. O ex-presidente Lula se recusou a extraditá-lo e, na semana passada, o Supremo Tribunal Federal - onde mais de dois terços de seus integrantes foram nomeados pelo mesmo Lula - resolveu manter a decisão do então presidente, por considerá-la "soberana", acima, portanto, de quaisquer tratados internacionais.
Condenado à prisão perpétua no Itália, o terrorista assassino foi beneficiado com a liberdade perpétua no Brasil, onde, pelo que se vê, o crime por ideologia compensa. É o Brasil do novo tempo. (Roberto Elísio)
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