domingo, 16 de outubro de 2011

Parábola da caixinha





Lendas, fábulas e parábolas saíram de moda há décadas, mas ainda há jovens que se encantam com elas. Aninha, por exemplo, guarda há vários anos um texto intitulado "Parábola da Caixinha". Como tantos textos que circulam por aí, a autoria é desconhecida, mas ela não esquece a amiga que lhe deu a cópia, quando sua jornada rumo ao doutorado lhe parecia interminável.
Hoje, doutora e cada vez mais envolvida com trabalhos acadêmicos, Aninha divide esse texto com as pessoas de quem gosta, ao perceber que estão perdendo de vista seus objetivos ou inclinadas a renunciar a um sonho. Pode não ser terapia aprovada por mestres modernos, mas já ajudou muita gente.
A história fala do pequeno fazendeiro que, preocupado com o baixo rendimento de sua propriedade, pediu conselho a um sábio sobre como mudar o rumo das coisas. Havia sábios nesse tempo, embora você não creia. E quase todos eram idosos e nunca recusavam ajuda a quem os procurasse.
O sábio desta história curta pegou um pedaço de papel, escreveu poucas palavras e guardou o escrito em uma caixinha bem fechada, que entregou ao fazendeiro com uma recomendação simples:
- Leve esta caixa por todos os cantos de sua fazenda três vezes ao dia, durante um ano inteiro.
O fazendeiro, que perdera o costume de andar por suas terras, de tão desanimado que estava, a partir de então seguiu o conselho do sábio. Já no primeiro dia, bem cedo e logo após o café, pegou a caixinha e foi para o campo.
Para sua surpresa, encontrou um empregado dormindo, quando já devia estar roçando o mato há horas. O preguiçoso, desacostumado com a presença e vigilância do patrão, levou o maior susto e correu para o trabalho. E, naquele dia, produziu mais que em todo o mês anterior.
Ao meio-dia, com a caixinha na mão, o fazendeiro passou pelo estábulo e encontrou bois e vacas cobertos de lama e cavalos famintos. Um intolerável abandono. E o capataz, por onde andaria? Informaram a ele que o sujeito passara a noite na cidade e ainda não retornara. Preferia passar a noite com a namoradinha e estava se divertindo como nunca.
Quando apareceu, no meio da tarde, o fazendeiro o chamou às falas e o sujeito prometeu - quase jurou - que nunca mais deixaria a fazenda nos dias de semana, conforme fora combinado desde sempre.
Naquela mesma noite, o fazendeiro esteve na cozinha, cumprimentou a cozinheira Josefa e lhe fez perguntas sobre os gastos mensais. Desde que sua esposa o abandonara, há anos, ele nunca mais entrara na cozinha. E ficou sabendo que, em lugar de utilizar o que a fazenda produzia, estavam comprando quase tudo nos armazéns da cidade.
Desde então, nosso fazendeiro infeliz e descuidado passou a percorrer suas terras todos os dias, levando consigo o amuleto. E a fazenda, que antes só dava prejuízo, equilibrou as contas e passou a dar lucro. Lucro pequeno, com o leite, queijo, milho e feijão, mas já era um progresso.
Ao final de um ano, procurou o sábio e lhe pediu para ficar com a caixinha mais doze meses: "Tudo mudou, desde que recebi este amuleto".
O sábio sorriu e, abrindo a caixa, tirou de lá o papel e entregou ao fazendeiro:
- Ele é seu pelo resto da vida.
No papel, estava escrita esta mensagem: "Se você quer que as coisas melhorem, cuide delas de perto, constantemente".
Há muita gente por aí que precisa dessa caixinha, para se livrar das perdas e recuperar a esperança. (Tião Martins)

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