sábado, 26 de novembro de 2011

A passagem do tempo

As maneiras de lidar com a passagem do tempo são diferentes, assim como as marcas que o tempo deixa em cada vida. Marcas que se expressam no físico, como na alma. É sempre bom atentar, para não cair na quase inevitável relação com algo negativo, que sinais também são deixados por coisas boas. O que é uma escultura senão marcas numa madeira, numa pedra, transformando a beleza bruta em beleza trabalhada, escultural?
Assim uma alma alegre é o reflexo de um bom relacionamento com a passagem do tempo e com as suas naturais transformações e ocorrências. Já um espírito contrito, amargurado é a expressão da dificuldade em laborar a não permanência. Desta forma as marcas se tornam verdadeiros cortes, talhos que insistem em atingir no máximo o ponto de uma suspeita cicatrização. Cicatrizes que mais lembram feridas mal tratadas e suturadas.
Marcas também podem ser sucos na face, em volta dos olhos, da boca, seja por gozo da vida ou por desgosto, por risos, sorrisos bem abertos ou por lágrimas que ao rolar vão abrindo veios nos rostos.
Na natural arrogância e arroubos desta fase da vida jovens podem olhar para pessoas de mais idade, sentindo-se superiores, melhores, principalmente no quesito beleza física. Os mais vividos, principalmente mulheres, podem até sentir uma ponta de inveja ou uma nostalgia não muito saudável. Crianças na sutileza e na graça da ingenuidade que lhes é própria torcem o nariz diante das transfigurações trazidas pelo passar do tempo e associam este passar do tempo a uma boa avozinha ou a uma bruxa má, mas jamais relacionam a si mesmo.
Assim como pessoas de mesma faixa etária podem entreolhar-se fazendo um balanço, uma comparação de quem está mais preservado e melhor, principalmente no físico, se este ainda conserva os sinais da mocidade e sua vitalidade. Sorrisos de contentamento marcarão as faces, os egos, ao se perceberem aparentemente sem muitos traços do decorrer do tempo.
Contudo, seja para o jovem, para a criança, para o mais vivido, seja para o que viveu bem ou não, para o com registros no rosto, na alma de tempos de delicadeza ou de mais dureza, seja para os mais conservados, o certo é que todos compartilham de uma mesma e única verdade: o tempo passa para todos. (Cláudia Ma. S. de Assis /claudiavoolivre@gmail.com)

2 comentários:

  1. Oi Cláudia!!
    Das coisas que mais gosto de fazer são: ler, pensar e escrever.
    Acho que temos algumas afinidades, além dos nossos vínculos genéticos nossas relações familiares distantes que nesses tempos estão tão proximas... Estou do lado de cá mas tenha certeza. Compartilhamos de muitas coisas.
    Amadurecer é fato. O bom disse tudo é que estamos mais concientes e já não esperamos muito das pessoas ao nosso redor. Precisamos doar mais e esperar menos, porque já atingimos maturidade para entender que ainda jovens fomos aperfeiçoados no mundo e agora é nossa vez de ser modelo para os que pouco eram pequenos e que vemos crescidos ao nosso redor.
    Creia, viver é isso. Amadurecer. E quando estivermos maduros, seremos colhidos para alimentar a vida que ansiamos.
    Esteja muito bem!! Te amamos... beijos carinhosos
    Seu primo de longe e de perto.
    Aloísio

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  2. Cláudia, rugas são marcas de vida. São sinais que nossa vida está sendo vivida intensamente e adequadamente. São marcas de lágrimas e sorrisos. Retratam a grandeza de nosso "passar" pela Terra. Rugas não representam velhice! Não!
    Rugas são sinais de "bem viver".
    Parabéns pelo texto! Você, continua a escrever! É um dom todo seu. Vai em frente!
    Parabéns! Abraços!
    Zélia T. Fernandes

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