
As maiores riquezas naturais do mundo ainda estão no Brasil, proclamam os patriotas exaltados. Mas até quando será assim, se boa parte delas já se foi e nunca mais voltou e o resto está indo embora cada vez mais depressa?
Nesta nossa democracia, os homens públicos federais assaltam o povo de três formas: elevam impostos, aumentam seus salários e metem a mão nos generosos cofres do governo, em concorrências decididas na véspera.
Temos os políticos mais caros, mais ricos e mais improdutivos do planeta. Se quiser mais informações, pergunte aos bancos suíços. Eles não vão responder, claro, mas admitem que nos últimos anos voltaram a crescer feito chuchu na cerca.
Quase tudo que sai daqui está lá, sob a proteção do sigilo bancário e longe dos olhos de curiosos como nós. Enquanto você trabalhava, os companheiros brincaram de esconde-esconde. E esconderam tudo. Pelo andar da carruagem e a pequena faxina que dona Dilma foi forçada a fazer, há o risco de que falte cofre na Suíça para guardar o dinheirinho dos nossos "estadistas".
Você é mesmo um sujeito generoso. Tanto que, em 2012, vai trabalhar 148 dias só para pagar impostos (o cálculo é do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário).
No mensalão, milhões de reais deslizaram para os bolsos dos deputados modelo flex. E nenhum foi preso ou devolveu um centavo, porque o processo dorme o sonho dos justos, nos escaninhos do Supremo. E ninguém sabe dizer quanto custou.
Aliás, por mero acaso, a maioria dos ministros do Supremo foi escolhida e nomeada pelo mesmo governo do mensalão. Só sabemos que custou caro e que pagamos a fatura.
Aqui, tudo é perfeição, coisa pra ninguém botar defeito. Os segredos ficam em casa, em família, até que um jornalista intrometido ponha a boca no mundo. Aí, o governo reabre a discussão sobre como cercar a imprensa.
A Esplanada dos Ministérios abriga um bando de gente da maior seriedade e elegância. São senhoras e senhores que só admitem brigar quando se trata de decidir quem leva a parte do leão. E você, que é manso cordeiro, nem precisa se preocupar, pois não faz parte da turma.
Mas não se atormente. Está tudo nas mãos de gente boa.
De Sarney a Tiririca, o Brasil é hoje uma péssima comédia, com os mesmos atores de sempre e um texto chato e repetitivo. Mas você tem o sagrado direito de escolher: pode rir ou pode chorar.
Na África e no Oriente Médio, o povão está vencendo o medo que sentia dos ditadores e indo às ruas, para exigir verdade, democracia, justiça e liberdade. Enquanto isso, usamos a nossa liberdade para eleger José Sarney e sua amada família.
Sempre se disse que o brasileiro não tem memória. Mas isso só vale para nós, da planície. No Planalto, ninguém esquece a senha que dá acesso aos cartões corporativos e aos depósitos na Suíça. E por falar em memória, que fim levou o fabuloso pré-sal, que antes das eleições presidenciais seria a salvação da pátria? Vai ver que o gato comeu. O gato come tudo.
Mas temos um motivo de orgulho: o Brasil é um crime perfeito, como não existe em lugar nenhum. Tão perfeito que os autores são sempre os mesmos: eles.
E as vítimas somos sempre nós. (Tião Martins)
Nesta nossa democracia, os homens públicos federais assaltam o povo de três formas: elevam impostos, aumentam seus salários e metem a mão nos generosos cofres do governo, em concorrências decididas na véspera.
Temos os políticos mais caros, mais ricos e mais improdutivos do planeta. Se quiser mais informações, pergunte aos bancos suíços. Eles não vão responder, claro, mas admitem que nos últimos anos voltaram a crescer feito chuchu na cerca.
Quase tudo que sai daqui está lá, sob a proteção do sigilo bancário e longe dos olhos de curiosos como nós. Enquanto você trabalhava, os companheiros brincaram de esconde-esconde. E esconderam tudo. Pelo andar da carruagem e a pequena faxina que dona Dilma foi forçada a fazer, há o risco de que falte cofre na Suíça para guardar o dinheirinho dos nossos "estadistas".
Você é mesmo um sujeito generoso. Tanto que, em 2012, vai trabalhar 148 dias só para pagar impostos (o cálculo é do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário).
No mensalão, milhões de reais deslizaram para os bolsos dos deputados modelo flex. E nenhum foi preso ou devolveu um centavo, porque o processo dorme o sonho dos justos, nos escaninhos do Supremo. E ninguém sabe dizer quanto custou.
Aliás, por mero acaso, a maioria dos ministros do Supremo foi escolhida e nomeada pelo mesmo governo do mensalão. Só sabemos que custou caro e que pagamos a fatura.
Aqui, tudo é perfeição, coisa pra ninguém botar defeito. Os segredos ficam em casa, em família, até que um jornalista intrometido ponha a boca no mundo. Aí, o governo reabre a discussão sobre como cercar a imprensa.
A Esplanada dos Ministérios abriga um bando de gente da maior seriedade e elegância. São senhoras e senhores que só admitem brigar quando se trata de decidir quem leva a parte do leão. E você, que é manso cordeiro, nem precisa se preocupar, pois não faz parte da turma.
Mas não se atormente. Está tudo nas mãos de gente boa.
De Sarney a Tiririca, o Brasil é hoje uma péssima comédia, com os mesmos atores de sempre e um texto chato e repetitivo. Mas você tem o sagrado direito de escolher: pode rir ou pode chorar.
Na África e no Oriente Médio, o povão está vencendo o medo que sentia dos ditadores e indo às ruas, para exigir verdade, democracia, justiça e liberdade. Enquanto isso, usamos a nossa liberdade para eleger José Sarney e sua amada família.
Sempre se disse que o brasileiro não tem memória. Mas isso só vale para nós, da planície. No Planalto, ninguém esquece a senha que dá acesso aos cartões corporativos e aos depósitos na Suíça. E por falar em memória, que fim levou o fabuloso pré-sal, que antes das eleições presidenciais seria a salvação da pátria? Vai ver que o gato comeu. O gato come tudo.
Mas temos um motivo de orgulho: o Brasil é um crime perfeito, como não existe em lugar nenhum. Tão perfeito que os autores são sempre os mesmos: eles.
E as vítimas somos sempre nós. (Tião Martins)
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