
Nada é mais natural e inevitável que envelhecer, todo mundo sabe. Mas as mulheres norte-americanas não querem saber. Em plena crise econômica, ainda gastam 60 bilhões de dólares anualmente para retardar os efeitos do envelhecimento. Até há pouco tempo, dizia-se que o Brasil também era um país apaixonado pela juventude, mas nunca chegamos perto dessa fogueira de vaidades na qual as americanas incendeiam seus dólares.
Como ainda não inventaram uma vacina contra o envelhecimento e a falta de graça, essas pobres meninas ricas gastam o que podem e o que não podem com as invenções oportunistas e ineficazes dos falsos curandeiros.
Médicos e "especialistas em beleza" ganham fortunas, a indústria do setor está entre as mais lucrativas do mundo e cada mulher que pisa no primeiro degrau acaba se tornando consumidora fanática de novos produtos e serviços. Essa perseguição da juventude e da beleza é uma corrida sem fim. E, acima de tudo, sem final feliz, porque o tempo - senhor de todas as coisas - fala mais alto que toda essa parafernália provisória.
Os psiquiatras dizem que gastar excessivamente com a aparência pode ser resultado da chamada "ansiedade social", transtorno que leva a pessoa a se sentir deslocada, apreensiva e infeliz antes e durante qualquer compromisso social. Mas parece que estão falando de outra coisa.
Chamem isso de vaidade, ansiedade ou autoengano, pouco importa, mas há mulheres (e um crescente número de homens) que já fizeram mais de uma lipoaspiração, implante de silicone ou cirurgia plástica. São milhares as que aumentam os seios, enquanto outras tratam de diminuir o que aumentaram. Outras tomam remédio para emagrecer. E milhões deixam de comer o que gostam e preferem passar fome, por medo do fracasso no casamento.
Mais que previsíveis, os resultados das pesquisas indicam que as maiores investidoras nessa luta contra o tempo são também as que apresentam índices mais baixos de conhecimento e cultura. Ou seja, quanto mais burra e alienada é a mulher, mais forte será a sua dedicação à irracionalidade.
É fácil entender essa correlação entre a incultura, a ambição estética e a luta contra o envelhecimento. Mulheres que pensam, trabalham, produzem e se destacam por seu conhecimento técnico, científico ou artístico vivem distantes dessa obsessão. A beleza que buscam nada tem a ver com rugas, estrias ou orelhas de abano.
Uma das mulheres mais lindas deste planetinha idiota - a escritora Marguerite Yourcenar - já chegara aos 80 anos quando foi fotografada em sua casa, nos Estados Unidos, por um profissional que não usava recursos técnicos como o Corel Draw, Fireworks, Photoshop e NeatImage para esconder imperfeições no rosto de suas modelos. A beleza dela vinha do seu saber.
Mas não é só a burrice que causa envelhecimento. Acreditem ou não, a frescura crônica, a angústia de viver no vazio, a depressão, o medo insensato de perder a beleza e mais uma variada coleção de neuroses são fatores que também pesam e fazem o corpo despencar.
Se olhassem para si mesmas por um minuto, enquanto correm para a mesa do cirurgião, essas meninas descobririam que podem ser bonitas, atraentes e sedutoras sem mastigar pílulas ou passar fome, sem cortar a pele ou endireitar o nariz. Afinal, ninguém sente saudade daquilo que nunca teve.
De qualquer modo, o autoconhecimento gera mais beleza que qualquer projeto de cirurgia ou tentativa de recriação no Photoshop. E já está provado que não causa celulite. (Tião Martins)
Como ainda não inventaram uma vacina contra o envelhecimento e a falta de graça, essas pobres meninas ricas gastam o que podem e o que não podem com as invenções oportunistas e ineficazes dos falsos curandeiros.
Médicos e "especialistas em beleza" ganham fortunas, a indústria do setor está entre as mais lucrativas do mundo e cada mulher que pisa no primeiro degrau acaba se tornando consumidora fanática de novos produtos e serviços. Essa perseguição da juventude e da beleza é uma corrida sem fim. E, acima de tudo, sem final feliz, porque o tempo - senhor de todas as coisas - fala mais alto que toda essa parafernália provisória.
Os psiquiatras dizem que gastar excessivamente com a aparência pode ser resultado da chamada "ansiedade social", transtorno que leva a pessoa a se sentir deslocada, apreensiva e infeliz antes e durante qualquer compromisso social. Mas parece que estão falando de outra coisa.
Chamem isso de vaidade, ansiedade ou autoengano, pouco importa, mas há mulheres (e um crescente número de homens) que já fizeram mais de uma lipoaspiração, implante de silicone ou cirurgia plástica. São milhares as que aumentam os seios, enquanto outras tratam de diminuir o que aumentaram. Outras tomam remédio para emagrecer. E milhões deixam de comer o que gostam e preferem passar fome, por medo do fracasso no casamento.
Mais que previsíveis, os resultados das pesquisas indicam que as maiores investidoras nessa luta contra o tempo são também as que apresentam índices mais baixos de conhecimento e cultura. Ou seja, quanto mais burra e alienada é a mulher, mais forte será a sua dedicação à irracionalidade.
É fácil entender essa correlação entre a incultura, a ambição estética e a luta contra o envelhecimento. Mulheres que pensam, trabalham, produzem e se destacam por seu conhecimento técnico, científico ou artístico vivem distantes dessa obsessão. A beleza que buscam nada tem a ver com rugas, estrias ou orelhas de abano.
Uma das mulheres mais lindas deste planetinha idiota - a escritora Marguerite Yourcenar - já chegara aos 80 anos quando foi fotografada em sua casa, nos Estados Unidos, por um profissional que não usava recursos técnicos como o Corel Draw, Fireworks, Photoshop e NeatImage para esconder imperfeições no rosto de suas modelos. A beleza dela vinha do seu saber.
Mas não é só a burrice que causa envelhecimento. Acreditem ou não, a frescura crônica, a angústia de viver no vazio, a depressão, o medo insensato de perder a beleza e mais uma variada coleção de neuroses são fatores que também pesam e fazem o corpo despencar.
Se olhassem para si mesmas por um minuto, enquanto correm para a mesa do cirurgião, essas meninas descobririam que podem ser bonitas, atraentes e sedutoras sem mastigar pílulas ou passar fome, sem cortar a pele ou endireitar o nariz. Afinal, ninguém sente saudade daquilo que nunca teve.
De qualquer modo, o autoconhecimento gera mais beleza que qualquer projeto de cirurgia ou tentativa de recriação no Photoshop. E já está provado que não causa celulite. (Tião Martins)
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