Conta-se que certa vez um monge e seus discípulos caminhavam por uma estrada e quando passavam por uma ponte, viram um escorpião sendo arrastado pelas águas. O monge correu pela margem do rio, meteu-se na água e tomou o bichinho na mão. Quando o trazia para fora, o bichinho o picou e, devido à dor, o homem deixou-o cair novamente no rio. Foi então à margem tomou um ramo de árvore, adiantou-se outra vez a correr pela margem, entrou no rio, colheu o escorpião e o salvou. Voltou o monge e juntou-se aos discípulos na estrada. Eles haviam assistido à cena e o receberam perplexos e penalizados. “Mestre, deve estar doendo muito! Por que foi salvar esse bicho ruim e venenoso? Que se afogasse! Seria um a menos! Veja como ele respondeu à sua ajuda! Picou a mão que o salvara! Não merecia sua compaixão!" O monge ouviu tranquilamente os comentários e respondeu: “Ele agiu conforme sua natureza, e eu de acordo com a minha..."
Mesmo sem perceber, cada um de nós tem sua própria natureza e age conforme sua influência. Inconscientemente todos tomamos atitudes que nos direcionam rumo ao nosso conceito pessoal de felicidade. Ser feliz não pode ser visto como um efeito casual de nossa caminhada. Ser feliz no que fazemos é uma meta a ser alcançada, onde quer que estejamos. E para alcançarmos esse grande objetivo, não raro, precisamos correr riscos, abrir mão de algumas coisas e tentar seguir nossa natureza, fazendo aquilo que mais combine conosco, mesmo que tenhamos que enfrentar o pré-conceito do mundo a nosso redor.
Você pode até chegar no final da estrada e descobrir que não era bem aquilo que imaginava, mas nada impede que o trajeto possa ser prazeroso. Sabemos que a felicidade não está na conquista, mas na conexão de nosso coração com a trajetória que nos conduz a ela. E você, que nos lê neste momento, considera-se uma pessoa feliz na forma como vive sua vida? Você tem feito escolhas que o aproximam de ser um ser humano mais completo, integrado com a forma como gostaria de viver?
Ir ou voltar, mudar ou não mudar, fazer ou não fazer. Sempre teremos dúvidas sobre qual melhor escolha realizar. Mas o que não podermos ter dúvidas é de sempre escolher, seguindo o “grito silencioso” de nossa sabedoria interior, que nos lembra de nossa natureza e de qual caminho realmente fará sentido para nós. Acredite: depois de um certo tempo você acaba percebendo que acertar ou errar faz parte da vida e no final o que realmente importa é se aproveitamos ou não o momento de cada erro e de cada acerto. Boas escolhas para você! (Ricardo Melo)









