Vender um imóvel é um momento que, por si só, demanda paciência e cautela. Quando a venda envolve apego sentimental com imóvel, o processo se torna ainda mais lento e oneroso. O sentimento em relação à casa antiga, além de atrasar a venda, faz com que o proprietário não aceite, muitas vezes, o valor comercial do seu imóvel. Por esse motivo, nestas horas é fundamental uma boa dose de frieza e desapego.
É muito fácil perceber o apego sentimental quando eventualmente estamos vendendo um imóvel da família, onde o patriarca e matriarca residiram por muitos anos, criaram os filhos, conviveram com os netos, enfim, construíram ali toda uma história. De repente, esse casal se depara com as dificuldades inerentes à chegada da idade e percebem que precisam ter uma vida mais prática e funcional.
Surge um momento em que a pessoa trabalhou muito e quer descansar, precisa diminuir o espaço e reduzir o trabalho com os cuidados da casa. Porém, mesmo com a real valorização do imóvel , as pessoas acabem atribuindo, além do valor comercial, um valor maior que está diretamente ligado à importância que o imóvel teve para a família.
Isso dificulta a venda e as negociações acabem demandando mais tempo do que deveriam. Os vendedores não aceitam o valor apresentado pelas imobiliárias ou construtoras e recusam todas as propostas recebidas. E essa situação pode gerar transtornos para o próprio vendedor, caso ele necessite de dinheiro da venda para dar entrada em um novo negócio. Afinal, para quem vai comprar um imóvel, o valor sentimental não existe.
Existem situações em que o apego está relacionado também a região onde está localizado. Muitas pessoas se mantém fiéis aos bairros que nasceram. Em Belo Horizonte, este tipo de situação pode ser percebido em bairros como Santa Tereza, Santa Efigênia, Sagrada Família, Prado e Gutierrez, dentre outros. (Texto de José de Filippo Neto - Extraído do Hoje em Dia)

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