Acordei com uma música na cabeça: “Dom de Iludir”, do Caetano . Tem um verso lindo que diz: “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”. Vale a reflexão.
Só você sabe da sua vida. Ninguém mais. Só você sabe a dor e a delícia de ser quem é. Só você sabe quanto custa amanhecer e levantar da cama após uma noite mal dormida, remoendo problemas, buscando soluções. Só você sabe o que é ter de sorrir quando se quer chorar, e ficar quieta no seu canto, sem fazer nada, porque simplesmente está sem forças para mexer o corpo. Ter de consolar quando você precisa de um ombro amigo, proteção, e afeto, que você dá, mas nem sempre recebe. E também só você sabe o tanto que luta para conseguir subir cada degrau que, aos olhos alheios, pode parecer uma subida com facilidades.
Não é fácil ser você. Com tanta responsabilidade. Difícil se manter equilibrada nessa corda bamba que é a vida. Mas você segue a caminhada. Mesmo com os pés feridos pelos espinhos que encontra na estrada.
Por mais que você seja uma pessoa discreta, e avessa a confidências, e guarde seus segredos, dores e alegrias no fundo do coração, sempre vai se deparar com alguém que julga suas atitudes como se tivesse esse direito. Como se tivesse mais informações sobre sua vida do que você. Alguém que acredita que viveria sua história melhor do que você.
‘É o mal do ser humano: se metes onde não é chamado. Analisar a vida alheia como se fosse novela. Palpitar. Debater. Criticar. Julgar. Sugerir caminhos, atalhos, atitudes, e desfechos. O famoso “ah, se fosse eu...” Como é fácil viver a vida alheia. Difícil é viver a própria vida. Alguns podem dizer que o palpite na vida alheia é carinho e atenção. Mas só vale se você se sentir invadida. Incomodada.
Você precisa colocar limites no seu espaço. Como uma cerca. Dali em diante, só pode passar com sua autorização. Se o intruso, mesmo que seja um bom amigo, pisar onde não deve, peça: um passo atrás. Aprenda a dizer não. Você não tem que aceitar tudo o que os outros lhe impõem. Afinal, só você sabe a dor e a delícia de ser quem é. Não abra Mao de ser a dona da sua própria vida. ( Letícia Dorneles – extraído do Hoje em Dia)

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